terça-feira, 26 de maio de 2009

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Moscas verdes como beija-flores pairando no ar
Sobre o vomito na calçada pública
Que só a chuva se atreve a um dia lavar
Um velho cambaleando acaba de se levantar

Acende o primeiro cigarro do dia
Para estancar o cheiro de enxofre da boca..
Quase que sem dentes, segura um pão
Que estala quando mastiga,por causa da terra emvouvida

Cheio de feridas, das omoplatas as canelas cinzas
Crianças felizes com brinquedos caseiros
Com pedaços de giz, riscando o chão e as paredes de azulejo

-Chega!Quero migrar para o Sul. Não tenho parentes lá
Quero fugir para o Norte. Morrer para lá estaria bom
Só não quero ficar, no imaginário,como seria viver em outro lugar...

Meus melhores amigos não se parecem comigo
Quero sumir,antes das buzinas,antes do Carnaval
Antes que as ruas se infestem de vomito e urina..



-Mais hoje esse meu medo passou!

Ganhei a tua cor, teu gosto, o teu querer...
Vou mudar, vou me furar, vou me tingir tanto até enegrecer...
Vou me transformar em um mostro asqueroso
Ou em qualquer outra coisa que nimguem crê!

2 comentários:

  1. Té doido moleque! me amarro nessas poesias sem pé nem cabeça...mas acho que tu deveria registrar tua autoria sobre elas, que são muito boas...mas diga lá, você as escreve quando baixa a inspiração, assim que nem eu?

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  2. "... só não quero ficar no imaginário de como seria viver em outro lugar..."

    viagei.

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